O início do ano foi tão promissor que o Morgan Stanley elevou sua previsão de crescimento econômico de 4% para 4,5%, impulsionado também por um aumento nos investimentos em setores-chave. Não foi a única instituição a revisar suas projeções para cima: o banco HSBC e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também ajustaram seus prognósticos. Ainda assim, nenhuma delas projeta alcançar a meta oficial do governo de 5%.
Com a recuperação da atividade, a demanda por borracha também cresce, o que mantém as cotações em níveis elevados. Relatórios da ChemAnalyst indicam que o setor de pneus aumentou sua produção, levando a um crescimento nas compras de borracha natural. Isso foi parcialmente influenciado pelas maiores vendas de automóveis, que após uma queda de 12% em janeiro, encerraram o primeiro bimestre com alta de 1,3% em relação ao mesmo período de 2024. A grande diferença entre os desempenhos de janeiro e fevereiro se deve às datas diferentes do Ano Novo Lunar em comparação ao ano passado.
Em meio a fortes críticas do setor automotivo, Donald Trump anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre todos os veículos e autopeças importados a partir de 3 de abril. A medida provavelmente encarecerá a aquisição de veículos para os consumidores americanos, com possível impacto negativo na demanda e na produção global de pneus. No entanto, também houve uma notícia positiva.
Aparentemente, a aplicação de tarifas recíprocas (ou seja, os EUA cobrariam dos países as mesmas tarifas que esses aplicam às exportações americanas), prevista para entrar em vigor em 2 de abril, por enquanto se restringiria a apenas 15% da lista de países com os quais os Estados Unidos têm déficit comercial.
Em termos de importações totais dos EUA, o efeito sobre os preços e a atividade seguiria sendo relevante, já que esses países representam uma parte importante do comércio com os EUA. Porém, haveria menos retaliações e o risco de aumento de tarifas sobre as importações de borracha do Brasil se reduziria.
Um relatório recente revelou que apenas um dos 12 principais fabricantes de pneus do mundo conseguiu demonstrar que possui uma cadeia de suprimentos livre de desmatamento. A falta de transparência na cadeia da borracha é preocupante, especialmente diante da iminente implementação do Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR), que exigirá das empresas importadoras de determinados produtos a garantia de que eles não vêm de áreas desmatadas.