Contra todas as previsões, as estimativas de crescimento econômico para a China começaram a ser revistas para cima e já se aproximam da meta de 5% estabelecida pelo governo. Ainda que os efeitos do aumento das tarifas dos Estados Unidos não sejam totalmente visíveis, o início do ano foi tão positivo que diversos bancos e agências de classificação já estão atualizando suas projeções.
A demanda por borracha do gigante asiático continua elevada, e por enquanto sustenta os preços, ao menos enquanto durar a entressafra de produção.

Como temos destacado, os dados de produção da China vêm sendo significativamente melhores do que o esperado.
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O início do ano foi tão promissor que o Morgan Stanley elevou sua previsão de crescimento econômico de 4% para 4,5%, impulsionado também por um aumento nos investimentos em setores-chave. Não foi a única instituição a revisar suas projeções para cima: o banco HSBC e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também ajustaram seus prognósticos. Ainda assim, nenhuma delas projeta alcançar a meta oficial do governo de 5%.

Com a recuperação da atividade, a demanda por borracha também cresce, o que mantém as cotações em níveis elevados. Relatórios da ChemAnalyst indicam que o setor de pneus aumentou sua produção, levando a um crescimento nas compras de borracha natural. Isso foi parcialmente influenciado pelas maiores vendas de automóveis, que após uma queda de 12% em janeiro, encerraram o primeiro bimestre com alta de 1,3% em relação ao mesmo período de 2024. A grande diferença entre os desempenhos de janeiro e fevereiro se deve às datas diferentes do Ano Novo Lunar em comparação ao ano passado.


Tarifas de importação: uma no cravo, outra na ferraduraconcepto-elecciones-estadounidenses-bandera-estados-unidos

Em meio a fortes críticas do setor automotivo, Donald Trump anunciou a imposição de tarifas de 25% sobre todos os veículos e autopeças importados a partir de 3 de abril. A medida provavelmente encarecerá a aquisição de veículos para os consumidores americanos, com possível impacto negativo na demanda e na produção global de pneus. No entanto, também houve uma notícia positiva.

Aparentemente, a aplicação de tarifas recíprocas (ou seja, os EUA cobrariam dos países as mesmas tarifas que esses aplicam às exportações americanas), prevista para entrar em vigor em 2 de abril, por enquanto se restringiria a apenas 15% da lista de países com os quais os Estados Unidos têm déficit comercial.

Em termos de importações totais dos EUA, o efeito sobre os preços e a atividade seguiria sendo relevante, já que esses países representam uma parte importante do comércio com os EUA. Porém, haveria menos retaliações e o risco de aumento de tarifas sobre as importações de borracha do Brasil se reduziria.


Pouca preparação para o EUDR
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Um relatório recente revelou que apenas um dos 12 principais fabricantes de pneus do mundo conseguiu demonstrar que possui uma cadeia de suprimentos livre de desmatamento. A falta de transparência na cadeia da borracha é preocupante, especialmente diante da iminente implementação do Regulamento de Desmatamento da União Europeia (EUDR), que exigirá das empresas importadoras de determinados produtos a garantia de que eles não vêm de áreas desmatadas.


De acordo com o último relatório mensal da CH Robinson, com um mercado de cargas mais estável e uma demanda ajustada, é possível que as empresas mudem de estratégia e deixem de acumular estoques. Essa parece ser uma decisão lógica, considerando que não há previsão de aumento nos custos de abastecimento e que os níveis de estoque já estão elevados — o que gera custos adicionais com armazenagem. Uma mudança estratégica como essa poderia levar à redução na demanda por fretes marítimos, o que manteria a tendência de queda nas tarifas.

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